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A Matemática Financeira e o Varejo Enganador

6 julho 2010 No Comment

Não é de hoje que as grandes redes de varejo brasileiras, tais quais Casas Bahia, Ricardo Eletro e Ponto Frio inundam os intervalos comercias de propagandas de teor “bombástico”, anunciando produtos a preços “incríveis” e parcelamentos “imperdíveis”. Desta forma, atraem milhões de consumidores de classes C, D e E que, atraídos pelas propagandas e incentivados pelo pensamento consumista, realizam sonhos ao comprar TVs de LCD, notebooks e eletrodomésticos.

De certa forma, são muitos os mentecaptos que se perguntam: “Como pode esse preço? Será que a empresa não tem prejuízo nessa ‘liquidação’, não?”.

Muito pelo contrário. E as estatísticas provam isso. Em pesquisa realizada pela MasterCard, 58% dos brasileiros preferem comprar parcelado, sendo as classes C a E, em franca expansão consumista, representantes de 71% desses consumidores. Num país como o Brasil, sabe-se que tais classes são menos favorecidas na formação educacional, além de sócio-economicamente.

Essa combinação de baixa renda e educação e publicidade constante e espalhafatosa rendem lucros cada vez maiores a essas empresas.

Vamos às contas: uma TV LCD é vendida nas Casas Bahia “De R$ 2.799,00 por R$ 2.199”. Já começa aí a ilusão: muito provavelmente o preço anterior já não é praticado a um bom tempo, se é que o foi. O parcelamento oferecido é em 10 vezes “sem juros” no cartão de crédito em parcelas de R$ 219,90, valor este aceitável a muitas famílias.

Aí é que vem o paradoxo. O produto é vendido sem juros mas, em letras pequenas e pouco chamativas o produto é vendido à vista por R$ 2.089,05, ou seja, desconto de 5% (R$ 109,95). Não serio isso propaganda enganosa? O produto é anunciado com um parcelamento sem juros, entretanto, seu valor à vista é menor. Não há como negar que esses 5% são os juros cobrados sobre o valor, e não o desconto. E na verdade, nem são 5% mas 5,3% sobre o valor à vista. Tal valor compensa a venda a prazo e ainda cobre os custos de parcelamento por cartão de crédito, sem dúvida alguma.

Num mesmo intervalo de tempo, o rendimento da poupança já cobriria esse valor, viabilizando a compra à vista, ou seja, vale a pena poupar para comprar mais barato.

Outro exemplo clássico são as ofertas de vendas de carros. Por mais atrativas que sejam vale ressaltar que, quanto maior o parcelamento, maior o valor a ser pago no final, valor este que pode chegar ao dobro do valor original. Por exemplo: um carro da Chevrolet, modelo Prisma, é oferecido por R$ 27.990, com taxa de 0,99% ao mês em 60 parcelas. Porém, tal oferta se dá mediante a uma entrada de R$ 11.610,87 (40% do valor). Financiando o restante em parcelas de R$ 363,95, o valor final é de R$ 35.211,87. Fazendo as contas, os juros do valor parcelado chegam a 30,7% do valor presente.

Por isso, antes de comprar, faça as contas, não custa nada e no longo prazo pode gerar economias muito grandes. O segredo, além disso, é sempre buscar aplicar seu dinheiro por um tempo, facilitando as compras à vista. As armadilhas do comércio estão em todo o lugar e cabe a nós, enquanto consumidores, evitá-las o máximo possível.

Ryoichi Penna
Departamento de Finanças

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