Qualificação na sociedade contemporânea
Em um país como o Brasil, no qual cerca de 7% da população economicamente ativa se encontra desempregada, soa estranha aos ouvidos a afirmação de que faltam pessoas para trabalhar em boa parte das empresas. Pois bem, estranhezas à parte, tal afirmação é verídica, e muita dessa veracidade se dá por um simples, porém relevante motivo: falta verdadeira qualificação aos candidatos. Tendo isto em vista, passa a ser relevante definir o que de fato é qualificação, quais suas principais características e, principalmente, as melhores formas de obtê-la.
Diferentemente do passado, quando o diploma de ensino superior bastava para o profissional se diferenciar no mercado, hoje em dia, o grau de exigência das organizações está cada vez mais elevado. A ênfase tem sido grande nas características pessoais do indivíduo, indo além de uma simples análise do seu currículo.
O profissional procurado, dizem os especialistas, precisa ter boa atitude, ser ambicioso. As empresas buscam crescer, e para isso contam com profissionais dispostos a crescer junto com elas, não se limitando a apenas pegar o vácuo dessa expansão.
A capacidade de lidar com pessoas, de ser um verdadeiro líder dentro de uma equipe, motivando e levando todos ao sucesso, nunca foi tão valorizada como é atualmente. O profissional que apenas repete o que já é feito não tem utilidade, é descartável. É preciso incorporar o espírito do inconformismo, do questionamento, procurar sempre por inovações, visando à melhoria contínua não só da organização como de si próprio.
A boa formação, claro, não é deixada de lado. O inglês fluente é pré-requisito básico, além também de ter cursado uma boa faculdade. Fazer um MBA fora do país é visto com ótimos olhos, pois, além da capacitação que isso proporciona, mostra que o profissional é preocupado com sua carreira, que se planeja e organiza para se diferenciar. Outro aspecto relevante é possuir a habilidade conceitual, saber trazer as idéias do campo do pensamento para o da realidade, através de uma visão sistêmica, interdisciplinar, pensando na organização como um todo, sem se prender apenas à sua área de atuação.
Diante disso, percebe-se a qualificação como algo complexo, que demanda tempo e, em especial, dedicação para ser obtida. Todavia, é preciso ressaltar que as empresas não esperam prospectar um profissional já pronto, visto que elas também investem em formação e necessitam que ele se adapte à sua cultura organizacional.
Sendo assim, não há motivos para desespero ao se deparar com essa enxurrada de requisitos e exigências. É momento, sim, de refletir sobre o conduzir da formação profissional e, principalmente, tomar atitudes que conduzam a essa tão falada e valorizada qualificação.
Marcelo Gaio Departamento de Gestão do Conhecimento


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